Clubes de futebol dizem que fim das bets compromete receitas contratadas
Em audiência no STF, representantes de clubes criticaram o prazo de dez dias para adaptação; governo cita danos financeiros e à saúde pública.

Representantes de clubes de futebol afirmaram, em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que a proibição das apostas de quota fixa compromete receitas previstas em contratos firmados sob a legislação então vigente. Segundo os expositores, os acordos com empresas de apostas foram celebrados com base nas regras em vigor à época. Os clubes também criticaram o prazo de dez dias estabelecido para adaptação ao novo modelo.
O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, disse que o fim das bets pode retirar cerca de R$ 430 milhões por ano das receitas do clube. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, afirmou que a proibição atinge também receitas ligadas aos direitos de transmissão, já que empresas de apostas compram cotas de publicidade das emissoras. Pelo Botafogo, o advogado Bichara Abidão Neto disse que o plano de recuperação judicial da SAF contava com o fluxo de caixa do contrato de patrocínio master firmado com uma casa de apostas.
Segundo a Agência Brasil, no fim de setembro o governo federal proibiu as apostas esportivas e os jogos online, em pacote de medidas econômicas voltado ao combate ao endividamento das famílias e aos problemas associados ao uso compulsivo de jogos virtuais. De acordo com o governo, além das perdas financeiras, o vício em jogos representa risco à saúde pública, com aumento dos casos de ansiedade, depressão, alcoolismo e suicídio.
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